Como enfermeira e docente de graduação em enfermagem, sempre tive a incumbência de falar, e muito, sobre a importância da amamentação. Em minha trajetória profissional, foram muitas as vezes que ajudei as mães a colocar seus filhos ao seio e outras tantas vezes que ministrei aulas em faculdades sobre a importância de se amamentar um bebê com leite materno, exclusivamente, até seu sexto mês de vida.
Mas foi no final do ano de 2009, quando dei a luz ao meu primeiro e único filho (pelo menos, por enquanto) é que eu pude vivenciar tudo o que até então eu não tinha tido como real experiência: que era ter um filho e amamentá-lo.
A grande maioria das mães produz leite suficiente para seus filhos e algumas, com um magnífico gesto de amor, ainda têm condições de doar o leite excedente, aquele leite que “sobra”, pois após seu filho ter sugado o leite suficiente para nutrir-se, ainda há leite suficiente para outro(s) bebê(s). Esse leite que essas mães doam vai para bancos de leite que oferecem, após um processo de pasteurização, a bebês que não podem ser amamentados por suas mães, como mães HIV positivo, por exemplo.
Mas, infelizmente, esse não foi o meu caso... Tive o que os médicos chamam de hipogalactia, que significa baixa produção de leite. Ou seja, meu bebê sugava, sugava o seio, mas quase não tinha leite suficiente para nutri-lo, o que o deixava estressado, nervoso, faminto e muito, muito choroso, tendo-o feito perder mais de 14% do peso em relação ao nascimento (sendo que só se admite, no máximo, uma perda de peso de até 10% do peso, após o nascimento de um bebê).
Entretanto, essa pouca produção de leite não foi um diagnóstico com que me conformei, pois acreditava que poderia ser revertido com ajuda e estímulo constantes, para que o leite não parasse de ser produzido.
A produção de leite materno depende de vários fatores como: de alterações hormonais da mãe e, principalmente, da sucção do bebê. O processo, na verdade, começa após a dequitação (que é a saída da placenta após o parto), em que há redução dos níveis de estrógeno e progesterona e há secreção de prolactina no sangue, pela hipófise. Associado a isso, há um aumento do fluxo de sangue nas mamas. Coma a sucção que o Recém Nascido faz na mama, a hipófise, no cérebro, recebe não só o sinal para a produção de mais prolactina, como há também um esvaziamento mamário e alívio da distensão alveolar (dos alvéolos mamários), estimulando, novamente, todo esse processo cíclico de produção de leite, a que chamamos de lactogênese. Em resumo, quanto mais o bebê suga, mas leite é produzido!
E foi acreditando nisso que, além de colocar meu bebê para sugar, estimulava minha produção de leite com uma bomba elétrica, que aluguei para ajudar nessa sucção. A produção de leite aumentou um pouco, mas ainda assim não era o suficiente para nutrir meu bebê.
Além da bombinha também tentei, com prescrição do nosso médico pediatra, o auxílio medicamentoso: usei 3 vezes ao dia (de 8 em 8 horas) o Cloridrato de Metoclopramida (mais conhecido pelo nome comercial de Plasil ®) e, posteriormente, a sulpirida (Dogmatil®).Entretanto, esse útlimo estava me dando muuuuuito sono...
Continuei a usar a bombinha, mas também tentei o método da translactação ou relactação, em que a mãe coloca o leite complementar num frasco que pode ser aderido com um esparadrapo ao seu colo, ou ficar entre os seios pendurado no pescoço, para levar um leite complementar ao bebê através de uma micro-cânula, como se fosse uma pequena “sondinha” até o mamilo que será sugado pelo bebê. Nesse método o bebê “pensa” estar sugando o leite materno, quando, na verdade, ele está sugando os dois (o leite materno, que nesse caso sai em pequena quantidade por deficiência de produção de leite da mãe – a hipogatactia), mais o leite complementar do frasco adaptado na mãe. O leite complementar também pode ser o leite da própria mãe, quando ela retirou antes o leite e armazenou em geladeira, para oferecer depois, como também pode ser um leite materno de outra mãe, ou até um leite complementar artificial, aquele comprado em pó e preparado para ser ofertado ao bebê, muitas vezes através de uma mamadeira. No meu caso teve que ser o leite artificial complementar...
Portanto, enfim, depois de todos os esforços que tive, infelizmente, não consegui amamentar meu bebê com leite materno, exclusivamente, até o 6° mês de vida. E foi com a orientação de nosso Médico Pediatra e reconhecendo minhas limitações de mãe e enfermeira, que fui obrigada a oferecer um complemento ao meu bebê (um leite artificial), pois caso contrário, se não o fizesse, meu bebê corria risco de se desnutrir...
Meu bebê só mamou no peito até um mês e meio de vida, mesmo com todos os esforços. Mas, apesar de todos os pesares em não amamentar meu bebê, com toda a carga de culpa e responsabilidade que a mim cabia, sempre fui positiva, pois sei que fiz o meu melhor, o melhor que estava ao meu alcance nas condições que me foram oferecidas.
E o mais importante de tudo isso foi sempre o AMOR que ofereci INCONDICIONALMENTE ao meu bebê, aquele AMOR que só quem teve o privilégio de ser mãe pode sentir: o AMOR que nutre, o AMOR que cura, o AMOR que salva, o AMOR de mãe!
O fruto desse AMOR pode ser comprovado com meu bebê que hoje já tem um ano e meio, é muito ativo e saudável e nunca teve nenhuma infecção!
A todas as mães que querem e podem amamentar, o incentivo de sempre continuar para que seu filho não só fique bem nutrido e protegido, mas que se sinta muito amado em seu seio, em seu colo, com você!

Puxa, estou vivendo exatamente isso e choro por muiiiiitas vezes por ter que complementar... O dogmatil funciona muito no começinho, mas depois para que o corpo se adapta e volta a estaca zero...
ResponderExcluirTb estou vivendo. Embora o dogmatil nao tenha me dado sono, me deu muita alergia ferindo minha pele que empolou toda.. parei por uma semana, a pele começou a melhorar mas o leite diminuiu drasticamente. O bebe esta com um mes e meio e vou tentar tomar de novo pra ver se volta.. ainda nao desisti..
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